Wednesday, May 30, 2007

imagem




( copyrightmariahenriques1992-2008 )

desenho




rosas sao senhoras de luz
dormem nas sombras que o sol alumia
e a noite deixam que lagrimas corram
para refrescar a fonte onde os gnomos
saltitam com o amanhecer

sao limpidas folhas de cor
tocadas pelo vento e nao existe lapis que
lhes devolva o tom se porventura lhes toca
na petala a morte

mas sao as senhoras do amor que
como elas e breve e desaparece na eternidade
de um beijo onde apenas a memoria permanece.



mariahenriques
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inspiraçao

( para o Edmundo de Bettencourt )


a inspiraçao e a pedra de toque
da magia
que aspirando morre.
na poesia.
e verde essa pedra.
transportada no bico de uma ave. voa.uma seta
atirada contra o sol interior.uma baia a espraiar
uma visao. um campo verde
e os seus espaços exteriores.

uma nuvem em redor de outra nuvem
ou um numero em redor de outro numero.
sem sombra.
iluminado pela luz
de uma praia
onde habitassem duendes com flautas de bizel.


mariahenriques © 1992-2006
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poem para monte carlo

monte carlo 1972



o cafe ao fundo
os passos os ruidos
de fundo
o fumo.
as noites e o cafe
com os velhos
a roerem devagar
as raparigas
que passavam
com pernas redondas.

e os amigos
os amigos
a marulharem segredos.



mariahenriques © 1992-2006
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Em busca da memória e do sentido da vida

Em busca da memória e do sentido da vida

"não somos todos ovelhas em busca do pastor?"


Condenados a não viver e a não regressar á Terra, os andróides do
Blade Runner
assemelham-se profundamente aqueles que, desde a expulsão do Paraíso,
anseiam pela reintegração como Adão e Eva ao serem levados pelo Arcanjo.
As ovelhas eléctricas de Phliph K. Dick, assumem em Ridley Scott uma
natureza quase angélica na figura de Roy Batty, o andróide que procura
uma nova consciência.
Roy Batty é aquele que descobre mais rapidamente que o elemento
fotografia/memória é afinal a mentira maior de toda a sua existência.
A segunda, a ilusão de permanência. Roy Batty não nos mostra uma
fotografia para invocar esperanças em relação a uma possível
humanidade.Ele sabe tudo a respeito de si próprio e sabe assumir a sua
impossibilidade social. Ele não tem nada para trás e á sua
frente,apenas o amor pela sua amada e o conhecimento da sua condenação
á morte. Ao assumir o controle da sua própria vida, arriscando-a para
ir ao encontro dos seus criadores assume uma das mais belas qualidades
humanas; a capacidade de lutar pela liberdade. Podendo escolher viver
o tempo que lhe restava na companhia da amada, escolheu o risco de ao
enfrentar o criador dos criadores, perder a vida que lhe restava. Essa
escolha faz dele alguém que merece viver, alguém que ao sair das
cortinas de sombra, dos medos característicos aos rebanhos humanos que
se perdem nas imensas catedrais de consumo para aí esconderem os seus
terrores da morte,assume o controle do próprio destino.
O risco como contrário da acomodação é símbolo de liberdade -" to live
isn´t an easy thing, hey..." .Um ser livre já não faz parte de
rebanhos e Batty transforma-se no viajante á procura da resposta para
as suas interrogações.
Terão as ovelhas sonhos eléctricos?...
Orson Wells dizia que o sonho é a única coisa importante.O nosso
Andróide converte-se naquele que sabe que vai morrer e salva Deckard,
aquele que sempre soube que só lhe restava matar.
Ao escolher salvá-lo, assume uma elevação espiritual de extrema
importância.A capacidade de aceitar a morte própria na esperança da
continuidade; salva Deckard e passa-lhe a memória para não ser
esquecido -"I´ve seen things you people wouldn´t believe..."
Confia-lhe a breve historia e morre.
E Deckard? Será ele apenas mais um sonho eléctrico de Roy Batty?...
Ou podemos afinal salvarmo-nos uns aos outros?...




Maria Henriques-2.2.1986
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genet

os homens sao
o que sao as vezes matam
e depois douram a imaginaçao
dos que sobrevivem.
apenas um momento depois
os homens tambem escrevem as vezes sobrepoem
imagens
repoem paisagens fantasticas
onde luas dançam com sombras ao uivar dos caes.
sao o que sao:
lobos
dentes aguçados dedos em riste
e as unhas desenham abruptas as letras
no corpo do papel onde por vezes
algumas imagens desmaiam.um segredo.
os homens dançam com o medo.



mariahenriques 07
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memoria

nos teus olhos
brilha ainda o azul
espelhado nos ceus
de onde vieste,
lentas,as pestanas
escondem o brilho anterior
onde moram ainda
memorias
que brevemente entregaras
aos deuses,
simples e fugazes momentos
agora,
viverao eternamente
no perfume do vento
que docemente
enrola o teu cabelo.




(mariahenriques)

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